ALERTA CAOS: Os 4 vetores que colapsam o crescimento em rede das Cooperativas
- Instituto da Transformação Digital
- 19 de dez. de 2025
- 7 min de leitura
Prezado(a) Líder Cooperativista,
O modelo cooperativo, sustentado pelos pilares de intercooperação, propósito compartilhado e gestão democrática, é a infraestrutura de resiliência mais importante para o Brasil. Contudo, ele não está imune às forças disruptivas do Mundo CAOS.
O desafio hoje não é de sobrevivência, mas de crescimento. O que impulsionou o seu crescimento em escala regional e nacional agora se choca com a velocidade do mercado global, com a desconfiança digital e com a urgência da inovação.
O Mundo CAOS, Contradição, Ansiedade Coletiva, Obsolescência Acelerada e Saturação/Escassez, expõe as vulnerabilidades do modelo de crescimento baseado em inércia e consenso lento.
Abaixo, aplicamos as quatro lentes do Mundo CAOS para diagnosticar os vetores que limitam o crescimento exponencial e a relevância das cooperativas nos próximos meses.
1. C. Contradições Extremas: O paradoxo do propósito e do lucro
A Contradição (C) é a força que paralisa a expansão ao forçar a cooperativa a conciliar dois mestres: a fidelidade à base social (o cooperado) e a competitividade agressiva do mercado (o lucro).
⚠️Três vetores de contradição que bloqueiam o crescimento:
1. O paradoxo do interesse do cooperado vs. A governança de mercado
O Desafio: A cooperativa precisa oferecer o melhor preço/serviço para o cooperado (taxas baixas no crédito, insumos de alto padrão no agro, benefícios na saúde) e, ao mesmo tempo, competir com players de mercado que operam com foco exclusivo no acionista (Governança de Mercado). Tentar satisfazer os dois objetivos simultaneamente, sem um modelo de valor nexialista claro, drena o capital e a clareza estratégica.
O Impacto no crescimento: A expansão para novos territórios ou segmentos é paralisada pela incerteza do propósito. A cooperativa perde a agilidade para entrar em nichos de alto valor agregado, ficando presa à lógica de commoditization e de crescimento linear, sem o valuation de uma empresa de impacto social.
2. O paradoxo da intercooperação vs. A competição interna
O Desafio: O Princípio da Intercooperação exige a colaboração sistêmica (ex: uso de tecnologia comum, compartilhamento de back-office ou de linhas de crédito). A realidade é a competição interna velada por talentos, por cooperados de alta renda ou por regiões estratégicas.
O Impacto no crescimento: O crescimento em rede é bloqueado pela falta de confiança digital e estrutural. A cooperativa não consegue escalar a inovação, pois cada unidade ou ramo gasta capital e tempo reinventando a roda, em vez de investir em uma Plataforma de Crescimento Coletivo.
Reavalie o estatuto de valor: Crie um KPI de Propósito (Key Performance Indicator) que meça a satisfação social e a geração de impacto de forma tão rigorosa quanto o resultado financeiro, e utilize-o como critério de bônus para a alta gestão. Isso alinha a Contradição do lucro com a missão social.
2. A. Ansiedade Coletiva: A paralisia do consenso lento
A Ansiedade Coletiva (A) no cooperativismo se manifesta na lentidão da Governança em tomar decisões no ritmo do mercado. A necessidade de construir consenso (democracia) colide com a urgência da inovação (time-to-market).
⚠️Três vetores de ansiedade que bloqueiam o crescimento:
1. O Burnout Estratégico da liderança de base
O Desafio: A base da cooperativa (conselheiros, delegados) vive sob a pressão de aprovar orçamentos bilionários com a mentalidade de "administrador local". A complexidade dos projetos de IA, ESG e fusões gera Burnout Estratégico, levando à aversão ao risco e à preferência por decisões conservadoras e incrementais.
O Impacto no crescimento: A inovação é barrada. A cooperativa perde a oportunidade de dar saltos quânticos (ex: criar uma fintech cooperativa), ficando presa ao crescimento linear que não acompanha a velocidade da demanda do mercado.
2. A Ansiedade do jovem cooperado e a desconexão com a história
O Desafio: O cooperado mais jovem ou o produtor de alta tecnologia exige serviços digitais fluidos, agilidade de crédito e um engajamento com impacto social, e não apenas com o dividendo no final do ano. A cooperativa, que valoriza a história e a tradição, luta para comunicar sua relevância para as novas gerações.
O Impacto no crescimento: A evasão de cooperados de alta renda ou alto potencial se acelera. O sistema falha em crescer a base com o talento e o capital que sustentará o futuro, pois a Ansiedade da base por pertencimento não é traduzida em valor.
Crie câmaras de decisão acelerada (War Rooms): Institua um modelo de governança híbrida onde decisões estratégicas urgentes (como aprovação de projetos de transformação digital ou fusões) são delegadas a um comitê executivo nexialista com mandato temporário e KPIs de velocidade, reduzindo a Ansiedade e acelerando o time-to-market.
3. O. Obsolescência Acelerada: A morte da infraestrutura física
A Obsolescência Acelerada (O) no cooperativismo atinge os ativos mais caros: a rede de agências, a infraestrutura de silos e os sistemas de gestão legados.
⚠️Três vetores de obsolescência que bloqueiam o crescimento:
1. Obsolescência da agência/unidade como ponto de transação
O Desafio: O modelo de expansão ainda foca na abertura de unidades físicas para transação (retirada, depósito, negociação), enquanto o cliente/cooperado exige uma plataforma digital que funcione como um Ecossistema de Serviços (onmi-channel nexialista). O custo de manter a infraestrutura obsoleta é um dreno de capital.
O Impacto no crescimento: O capital que deveria financiar a inovação (IA, ESG, biotecnologia) é desviado para cobrir o custo operacional de ativos que o cliente não valoriza mais. O crescimento do negócio digital é sabotado pela mentalidade centrada no físico.
2. Obsolescência da visão de tecnologia isolada
O Desafio: O investimento em tecnologia é visto como um "custo de TI" (O) e não como um Ativo de Crescimento Coletivo. A cooperativa foca em softwares específicos de seu nicho e adia o investimento na infraestrutura de Plataforma de Dados Unificada (o Data Lake).
O Impacto no crescimento: A capacidade de gerar Inteligência Coletiva é paralisada. Sem dados conectados (contas, crédito, produção, insumos), a cooperativa não consegue oferecer ofertas de valor nexialista (ex: um crédito personalizado com base no score ESG da lavoura), perdendo a oportunidade de aumentar o share of wallet do cooperado.
Implemente um Chief de-Innovator: Crie um Comitê ou líder (Nexialista) com o mandato de descontinuar ou readequar ativamente os ativos e processos mais obsoletos e caros (agências de baixo uso, sistemas legados, linhas de produtos de baixa margem). O foco não é apenas inovar, é deixar de fazer o que mata a velocidade.
4. S. Saturação e Escassez: O choque de recursos e talentos
A lente S do Mundo CAOS combina a crise de Escassez de recursos vitais (talento, cash-flow para inovação) com a Saturação de concorrência local e regulamentações.
⚠️Três vetores de saturação e escassez que bloqueiam o crescimento:
1. Escassez de talentos nexialistas vs. saturação de especialistas
O Desafio: O mercado está saturado de especialistas em tarefas específicas, mas há uma escassez crítica de talentos Nexialistas, aqueles que conseguem conectar a área de crédito, o digital, a operação e a sustentabilidade (ESG) em uma solução coesa.
O Impacto no crescimento: A cooperativa não consegue projetar e executar soluções sistêmicas. A falta de visão integradora (S) leva a soluções departamentalizadas, resultando em retrabalho, lentidão e perda de capital humano.
2. Saturação de regulamentação e burocracia vs. escassez de velocidade
O Desafio: O setor cooperativista é altamente regulamentado. A saturação regulatória exige processos burocráticos lentos que consomem tempo e recursos, criando uma escassez de velocidade para atuar no mercado.
O Impacto no crescimento: A burocracia interna e externa se torna um freio de mão para a expansão. O crescimento orgânico não compensa a lentidão estrutural, e a cooperativa perde a agilidade para capturar novas demandas do cooperado, que migra para players com experiência de usuário mais fluida.
Crie um "Marketplace" de serviços cooperativos (Nexialismo estrutural): Em vez de cada cooperativa do sistema lançar seu produto, crie uma plataforma aberta de intercooperação onde talentos, know-how e tecnologias (ex: IA para crédito, gestão de supply chain) são compartilhados e precificados de forma transparente. Isso transforma a escassez de capital individual em saturação de oferta do sistema, garantindo um crescimento de alto valor agregado.
O Mundo CAOS não é uma ameaça ao cooperativismo; é o seu grande teste de propósito. Somente a Liderança Nexialista, que conecta o legado histórico à tecnologia de ponta e ao propósito social, garantirá o crescimento e a relevância sistêmica.
O futuro em rede não é apenas colaborativo. É nexialista, digital e corajoso.
🌐 Sobre o autor
Paulo Kendzerski é um dos pioneiros da transformação digital no Brasil, com mais de 30 anos dedicados à inovação, à educação empreendedora e ao desenvolvimento sustentável dos negócios.
Presidente do Instituto da Transformação Digital (ITD), da I&T School e da INI – Incubadora de Negócios Inovadores & Impacto Socioambiental, lidera programas voltados à formação de empreendedores de impacto, realiza mentoria para negócios inovadores e C-LEVEL e promove avaliação de maturidade digital e humana em organizações de todos os portes e segmentos.
Reconhecido como um profissional nexialista, Paulo constrói pontes entre mundos distintos, conecta pessoas, empresas, universidades, governos e comunidades, transformando diversidade em convergência. Seu talento está em ligar pontos que normalmente não se encontram, criando ecossistemas colaborativos capazes de gerar inovação, inclusão e impacto sustentável.
Nos últimos anos, intensificou sua atuação em iniciativas que integram bioeconomia, tecnologia e educação, como o Hackatagro, que envolve estudantes de escolas técnicas agrícolas no desenvolvimento de soluções sustentáveis, e o Digital Transformation Awards, premiação internacional que celebra pessoas e organizações que inovam com propósito.
Mais do que um líder, Paulo é um educador de mentalidades, alguém que inspira novas formas de pensar, aprender e agir. Sua trajetória é guiada pela visão das três inteligências da era regenerativa:
💡Inteligência Social: o despertar individual para escolhas conscientes.
💡Inteligência Coletiva: a força da colaboração entre pessoas e organizações.
💡Inteligência Digital: o uso da tecnologia como meio de regeneração, e não de exploração.
Segue meus contatos diretos:
📧 e-mail: paulo@institutodatransformacao.com.br
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Obrigado por fazer parte dessa jornada comigo!
Será um prazer compartilhar ideias e explorar sinergias.
Um grande abraço,
Paulo Kendzerski



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