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Itabuna diante do futuro: uma nova pergunta para a próxima geração de líderes

ITD foi convidado pelo SEBRAE Bahia para apresentar estudo sobre os ecossistemas globais de inovação durante o Meetup Summit 2026, eventos que acontecem em Itabuna (24/08) e em Ilhéus (26/08),


"O futuro de uma cidade não começa quando uma nova tecnologia chega. Começa quando suas lideranças passam a fazer perguntas diferentes."


Foi a partir dessa provocação que o Instituto da Transformação Digital (ITD), a convite do SEBRAE Bahia, participou do Meetup Summit 2026, realizado no dia 24 de junho, na sede do Sicoob de Itabuna, em uma iniciativa promovida pelo SEBRAE Bahia e pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI).


O encontro reuniu empresários e lideranças locais para uma conversa sobre inovação, desenvolvimento territorial e, principalmente, sobre como diferentes cidades podem construir uma posição estratégica diante das transformações que já estão redesenhando a economia mundial.


Na oportunidade, Paulo Kendzerski, presidente do ITD e idealizador do estudo, apresentou os volumes I e II de Ecossistemas Globais de Inovação, produzido pelo ITD Observatory, trazendo para o debate referências de alguns dos principais ecossistemas de inovação do mundo.


Mais do que apresentar exemplos internacionais, a proposta foi utilizar essas experiências como uma lente para interpretar o território.


O que os grandes ecossistemas globais podem ensinar a uma cidade brasileira?


Uma das principais conclusões apresentadas pelo estudo é que não existe um modelo universal de ecossistema de inovação.


Silicon Valley, Kendall Square, Barcelona e outros territórios analisados construíram suas próprias trajetórias a partir de características específicas, instituições, infraestrutura, conhecimento, governança e vocações econômicas.


A questão, portanto, não é copiar o que deu certo em outro lugar.

É entender o que faz sentido para cada território.


Esse olhar muda completamente a conversa sobre inovação. Em vez de perguntar simplesmente quais startups criar, qual tecnologia adotar ou quanto investimento atrair, surge uma questão muito mais estratégica: qual vocação pode posicionar uma cidade de forma diferenciada nas próximas décadas?


Foi nesse ponto que a apresentação do ITD encontrou Itabuna. Uma cidade com ativos que talvez ainda não estejam sendo vistos como estratégia. Itabuna já possui características que podem ser consideradas ativos importantes para a construção de uma estratégia de futuro.


O material apresentado pelo ITD destaca a posição da cidade como polo urbano do Sul da Bahia, sua relevância logística, a força do comércio e dos serviços, a presença de um importante mercado de saúde e a existência de capital humano associado ao ensino técnico e profissionalizante.


Esses elementos, quando analisados isoladamente, são características atuais. Quando conectados a tecnologia, conhecimento, empreendedorismo, infraestrutura e governança, podem se transformar em plataformas para novas oportunidades de desenvolvimento. Essa é uma das principais provocações trazidas pelo estudo.


Uma cidade não precisa abandonar aquilo que já faz bem para se tornar inovadora. Talvez o caminho esteja justamente em transformar seus ativos atuais em capacidades de futuro.


Cinco possibilidades começaram a surgir

A partir da análise dos padrões observados nos ecossistemas globais e dos ativos identificados no território, Paulo Kendzerski apresentou cinco hipóteses de caminhos evolutivos que poderiam ser considerados por Itabuna.


Entre elas, surgiram possibilidades relacionadas à saúde e tecnologia, à logística inteligente, à transformação urbana, à formação tecnológica e à evolução do comércio.


Mas o objetivo não foi escolher uma delas naquele momento. E essa talvez tenha sido uma das mensagens mais importantes da apresentação.


Uma vocação de futuro não deve ser simplesmente escolhida. Ela precisa ser construída.

Por isso, cada possibilidade exige uma combinação entre ativos existentes, tecnologia aplicada, instituições, pessoas, governança e capacidade de execução.


O desafio não é descobrir uma ideia brilhante. É criar as condições para que uma estratégia consiga sobreviver ao tempo.


A pergunta que ficou para Itabuna

Ao final da apresentação, o debate deixou de olhar para o presente e passou a olhar para 2030, 2040 e 2050.


E Paulo Kendzerski encerrou sua participação com uma provocação direta:

“Qual a vocação de futuro de Itabuna?”


A pergunta parece simples.


Mas sua resposta pode determinar decisões sobre educação, infraestrutura, investimentos, políticas públicas, empreendedorismo, tecnologia e desenvolvimento econômico durante as próximas décadas.


O estudo apresentado pelo ITD mostra que os ecossistemas mais resilientes não são necessariamente aqueles que possuem mais tecnologia, mais capital ou mais startups.


São aqueles que conseguem construir uma visão compartilhada de futuro e criar uma arquitetura institucional capaz de sustentá-la ao longo do tempo.


É por isso que pensar o futuro de uma cidade não pode ser apenas um exercício de planejamento. É um exercício de inteligência territorial.


De Itabuna para outras cidades brasileiras

A experiência do Meetup Summit 2026 revela também uma possibilidade mais ampla.


Se cada território possui ativos, desafios, capacidades e características próprias, então talvez a pergunta mais importante para as cidades brasileiras não seja:


“Como podemos reproduzir os ecossistemas de inovação que deram certo no mundo?”


Mas: “Que futuro é possível construir a partir daquilo que já somos?”


Essa mudança de perspectiva pode abrir uma nova agenda para municípios, empresas, universidades, instituições de apoio e lideranças empresariais.


O estudo Ecossistemas Globais de Inovação, produzido pelo ITD Observatory, oferece referências internacionais para essa reflexão. Mas o verdadeiro valor surge quando essas referências são confrontadas com a realidade de cada território.


Itabuna foi uma dessas primeiras provocações.


E talvez a pergunta que ficou para a cidade possa ser feita a muitas outras:


Se o futuro não está pronto, qual futuro sua cidade está preparada para construir?



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