A queda das grandes consultorias de transformação digital revela uma mudança mais profunda e confirma análises anteriores do ITD
- Instituto da Transformação Digital
- 22 de jun.
- 4 min de leitura
Nos últimos anos, algumas das maiores empresas globais de consultoria e serviços digitais, responsáveis por liderar grandes projetos de transformação em organizações do mundo inteiro, passaram a enfrentar um novo cenário: pressão sobre resultados, revisão de expectativas e questionamentos sobre o modelo tradicional de entrega.
Duas publicações na semana passada no LinkedIn, mostraram números impressionantes, que confirmam esta tendência.
A Globant chegou a - 62,94% de queda nas suas ações nos últimos 12 meses. Já a Accenture chegou a 48,82%. O mesmo acontece com outras gigantes, como IBM (~15%), Infosys (~37%) e Cognizant (~46%). Todas mostram que estão em queda principalmente devido a uma reavaliação e reestruturação mais ampla do mercado em relação ao setor de consultoria tradicional.
O mercado observou uma desaceleração generalizada do setor e movimentos relevantes envolvendo grandes empresas do setor, especialmente aquelas construídas sobre modelos baseados em grandes equipes, projetos extensos e forte dependência de horas de especialistas.
A primeira leitura poderia ser: "A transformação digital perdeu força."
Mas essa interpretação seria equivocada. O que está acontecendo é mais profundo. Estamos entrando em uma nova fase da transformação digital. Uma segunda onda.
A primeira onda: quando a transformação digital era descoberta
A primeira onda da transformação digital teve um papel fundamental. Ela foi responsável por despertar organizações para uma nova realidade.
Foi o período marcado por:
adoção de novas tecnologias;
digitalização de processos;
inovação aberta;
experimentação;
hackathons;
laboratórios de inovação;
grandes eventos;
entusiasmo com novas possibilidades.
As empresas passaram a perguntar:
"Como podemos utilizar as novas tecnologias para melhorar nosso negócio?"
Foi uma fase de aprendizado. Muitas organizações precisavam conhecer as possibilidades antes de conseguir capturar valor. O problema é que, em muitos casos, a transformação digital ficou limitada à adoção de ferramentas, iniciativas isoladas e projetos sem continuidade.
Muitas ações geraram visibilidade. Mas poucas geraram transformação estrutural.
O paradoxo da transformação digital
O momento atual revela um paradoxo interessante.
As empresas que ajudaram organizações a se transformarem digitalmente agora também precisam transformar seus próprios modelos.
Por quê?
Porque a tecnologia que elas ajudaram a implementar, especialmente a Inteligência Artificial, está mudando a própria lógica de entrega de valor.
Atividades que durante anos demandaram grandes equipes começam a ser aceleradas ou automatizadas:
análise de informações;
criação de documentos;
desenvolvimento de códigos;
relatórios;
diagnósticos iniciais;
processos operacionais.
A questão não é que a tecnologia elimina a necessidade de transformação.
A questão é: ela muda o que significa transformar.
A segunda onda da transformação digital
A segunda onda começa quando as organizações deixam de perguntar apenas:
"Qual tecnologia devemos adotar?"
E passam a perguntar: "Qual capacidade precisamos desenvolver para evoluir continuamente?"
Essa mudança altera completamente a agenda estratégica. A transformação digital deixa de ser um projeto. Passa a ser uma capacidade organizacional.
Da inovação como evento para inovação como sistema
Na primeira onda, muitas empresas associaram inovação a:
eventos;
programas temporários;
desafios;
ideias;
experimentações.
Tudo isso continua tendo valor.
Mas a segunda onda exige algo maior: governança sistêmica.
A inovação precisa estar conectada a:
estratégia;
indicadores;
processos;
pessoas;
cultura;
geração de valor.
Não basta criar ideias. É necessário transformar ideias em resultados.
Da tecnologia como protagonista para a inteligência como diferencial
A tecnologia continua sendo essencial, mas deixa de ser o centro da transformação. A diferença competitiva estará na capacidade das organizações de:
interpretar dados;
tomar melhores decisões;
aprender rapidamente;
adaptar modelos de negócio;
desenvolver pessoas;
criar novos caminhos.
Em um mundo onde todos terão acesso às mesmas tecnologias, a vantagem estará na capacidade de utilizá-las melhor.
Conhecimento vira ativo estratégico
Esse talvez seja o maior símbolo da segunda onda. Durante muito tempo, conhecimento era algo acessório. Hoje, ele se torna infraestrutura estratégica.
Organizações que aprendem mais rápido conseguem:
inovar mais rápido;
responder melhor às mudanças;
aproveitar melhor a inteligência artificial;
construir vantagens competitivas sustentáveis.
A transformação digital deixa de ser sobre tecnologia aplicada ao negócio. Passa a ser sobre inteligência aplicada à evolução do negócio.
O novo papel das organizações e dos parceiros de transformação
O modelo tradicional baseado apenas em grandes equipes e projetos longos tende a perder espaço.
O futuro aponta para organizações capazes de combinar:
inteligência estratégica;
tecnologia;
educação contínua;
governança;
métricas de impacto;
ecossistemas colaborativos.
As empresas não precisam apenas de quem implemente soluções. Precisam de parceiros que ajudem a construir capacidade interna de transformação.
O Brasil diante dessa nova fase
O Brasil possui uma oportunidade relevante. Muitas organizações ainda estão concluindo sua primeira jornada de digitalização enquanto a segunda onda já começa a se consolidar globalmente.
Isso cria um desafio: Não repetir modelos antigos.
A próxima geração da transformação digital brasileira precisará combinar:
ciência;
conhecimento;
inteligência artificial;
desenvolvimento humano;
geração de negócios reais.
O papel do ITD nesta nova fase
Há anos o Instituto da Transformação Digital defende uma visão de que transformação digital não é apenas adoção de tecnologia. É evolução organizacional. O novo cenário reforça essa visão.
A segunda onda exige organizações mais inteligentes, adaptáveis e preparadas para aprender continuamente.
O futuro da transformação digital não será definido por quem possui mais ferramentas. Será definido por quem consegue transformar conhecimento em capacidade estratégica.
A transformação digital entrou em uma nova era. A primeira onda conectou empresas à tecnologia.
A segunda onda conectará empresas à inteligência. E essa mudança já começou.
A pergunta estratégica para os líderes da próxima década
Diante desse cenário, a pergunta que todo C-Level precisa fazer não é:
"Como minha empresa pode implementar mais uma nova tecnologia?"
Essa pergunta pertence à primeira onda.
A pergunta da segunda onda é:
"Minha organização está desenvolvendo a inteligência, a governança e a capacidade de adaptação necessárias para competir em um mundo orientado por IA?"
Porque o maior risco para as empresas não será a falta de acesso à tecnologia. Todas terão acesso.
O verdadeiro diferencial estará na capacidade de transformar conhecimento em decisões melhores, decisões melhores em inovação e inovação em resultados sustentáveis.
A próxima vantagem competitiva não será construída apenas por quem adota tecnologia mais rápido.
Será construída por quem aprende, adapta e transforma continuamente.
É exatamente essa transição que o ITD acompanha e ajuda organizações a construírem.
A partir de uma visão integrada entre ciência, educação, inteligência artificial, governança e geração de valor, o ITD trabalha para preparar líderes e organizações para a segunda onda da transformação digital.
A pergunta agora é:
Sua organização está apenas utilizando tecnologia ou está desenvolvendo a capacidade de evoluir com ela?
O futuro da transformação digital já começou. E as organizações que compreenderem essa mudança antes terão uma vantagem estratégica decisiva.
Conecte-se ao ITD e participe da construção da próxima fase da transformação digital.



Comentários