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Alerta CAOS: Os 4 vetores que vão derrubar a receita da INDÚSTRIA brasileira em 24 meses

Dias atrás recebi, de um empresário de indústria brasileira importante, uma pergunta que me obrigou, não só pensar numa resposta coerente que possa auxiliá-lo de forma eficiente, mas a construir um cenário estratégico de futuro para este segmento tão importante para nosso país.


O contexto: Este empresário começou a perceber que as transformações que acontecem no mundo, de forma acelerada e fora do padrão dos últimos 20 anos, irá colocar em risco a capacidade não só operacional, mas principalmente estratégica da sua empresa, pois ele pode não perceber quais tendências irão impactar seu negócio, de forma positiva ou negativa.

A pergunta: “Existe algum risco do que irá acontecer no futuro (próximos 24 meses) que pode derrubar o modelo de receita da minha indústria?”

Segue minha resposta para ele, que é extensiva a todo líder empresarial, e torno pública aqui.


Excelentíssimo(a) Líder, é uma honra receber sua provocação.


Sua provocação é o combustível que move a transformação e é imperativo que lancemos as lentes mais incisivas do Mundo CAOS sobre os modelos de receita que a indústria insiste em sustentar.


Vivemos em um mundo onde a complexidade não é mais um estado temporário, mas o próprio motor da transformação. Esta é a lente do Mundo CAOS, o framework que criei para que a liderança estratégica possa não apenas reagir, mas liderar a próxima disrupção.


A seguir, apresento os quatro vetores que têm o poder de colapsar o modelo de receita da indústria brasileira nos próximos 24 meses, exigindo uma reengenharia estratégica imediata.


O Mundo CAOS, conceito que criei, exige que a liderança deixe de lado o conforto da previsibilidade e encare as contradições dos modelos atuais (C), a paralisia cultural (A), a Obsolescência Acelerada (O) que não é apenas sobre o produto ficar velho; é sobre o conhecimento e o modelo de receita que o sustentam se tornarem irrelevantes em ciclos de tempo que eram impensáveis há uma década, e a simultaneidade de excesso e falta (S) como os verdadeiros vetores de colapso de valor.


Abaixo, apresento os vetores de disrupção para cada uma das lentes do Mundo CAOS, prontos para serem o foco de seus próximos board meetings.


C. Contradições extremas: O colapso pela paralisia do paradoxo


Contradição (C) é a força que atua quando dois imperativos de negócio, ambos essenciais para a sobrevivência, tornam-se mutuamente exclusivos no modelo de operação atual. A liderança congela ao tentar conciliar o inconciliável.

Como criador do Mundo CAOS, reafirmo: a indústria que não resolver seus paradoxos internos nos próximos 24 meses será forçada a fazê-lo pela bancarrota.

 Três vetores de contradição que derrubarão a receita:


1. O paradoxo do Talent-fit: hierarquia rígida vs. capital humano Nexialista


  • O Colapso: A indústria brasileira precisa desesperadamente de talentos de alta performance, engenheiros de IA, cientistas de dados, e, acima de tudo, nexialistas (o profissional que conecta saberes e resolve problemas sistêmicos), para implementar a Indústria 5.0. Se a indústria 4.0 trouxe a tecnologia de alto valor agregado às operações, como IOT entre outras, a indústria 5.0 recolocará o capital Humano no centro da jornada. No entanto, a cultura empresarial é mantida por estruturas hierárquicas verticalizadas e departamentalizadas, longos processos de aprovação e foco exclusivo em especialização.


  • A Ruptura: O modelo de receita será estrangulado pela incapacidade de atração e retenção desse capital intelectual escasso. As empresas ficarão presas ao core business obsoleto, pois a transformação digital plena será impedida pela fuga dos profissionais que buscam ambientes alinhados a propósito e à autonomia. O custo da estagnação tecnológica supera em muito o custo da revolução cultural.


2. O paradoxo da escala vs. hiper personalização on-demand


  • O Colapso: O modelo de lucro de décadas se baseou em maximizar a eficiência da produção em massa. Hoje, o cliente B2B e B2C exige a personalização em lote (customização em massa), ciclos de entrega ultrarrápidos e serviço integrado ao produto. Manter a escala e, simultaneamente, desenvolver a agilidade e a flexibilidade para a personalização, exige investimentos em tecnologias como Digital Twins (gêmeos digitais) e IA, que minam a margem de curto prazo.


  • A Ruptura: A inércia em inovar o modelo de negócio leva a dois caminhos fatais: ou a empresa mantém a escala e perde o cliente para concorrentes mais ágeis e digitais, ou tenta personalizar sem tecnologia e explode seus custos operacionais.


  • O faturamento diminui à medida que o mercado migra para ecossistemas que nascem já customizados por design.


3. O paradoxo do trimestre: valor imediato para o acionista vs. resiliência sistêmica


  • O Colapso: A governança tradicional foca na pressão trimestral por lucros para satisfazer o mercado de capitais (shareholder value). Contudo, os investimentos que garantem a sobrevivência de longo prazo no Mundo CAOS, descarbonização da cadeia, desenvolvimento de fornecedores éticos, reengenharia de supply chain para resiliência, exigem um "vale da morte" financeiro de 3 a 5 anos.


  • A Ruptura: A falta de coragem do Conselho em assumir o prejuízo estratégico no presente, por medo da reação do mercado, leva à ausência de investimentos em ativos de resiliência. Quando a legislação climática se aperta ou ocorre uma disrupção na cadeia global (escassez), a empresa não está preparada, e seu valor de mercado desaba por falta de viabilidade sistêmica, colapsando a receita de forma irreversível.


 A. Ansiedade coletiva: A paralisia da liderança sob estresse

A Ansiedade Coletiva (A) é a tensão gerada pela sobrecarga informacional e pela pressão constante que, ao invés de acelerar, paralisa a tomada de decisão e gera Burnout estratégico na média e alta gerência, além das equipes, o elo fraco deste modelo verticalizado e departamentalizado em vigor nas empresas brasileiras.

No Mundo CAOS, a Ansiedade coletiva é um vírus cultural que exige uma vacina de propósito e clareza, conforme defendo.

⚠Três vetores de ansiedade que derrubarão a receita:


1. O Burnout estratégico e a falha na ponte de execução


  • O Colapso: O C-Level define a estratégia (o "quê" da transformação), mas a média gerência, a ponte entre a visão e a execução, é sobrecarregada pela pressão de manter a operação e implementar a transformação. A ansiedade gerada pelo conflito de prioridades, a falta de ferramentas digitais adequadas e o medo da obsolescência pessoal levam ao burnout.


  • A Ruptura: Projetos cruciais de reengenharia (migração para cloud, implementação de novos processos de linhas de produção) falham ou atrasam catastroficamente. O modelo de receita é derrubado pela incapacidade de executar a própria estratégia, enquanto os custos da estrutura antiga e ineficiente se mantêm, drenando o caixa.


2. A ansiedade dos dados e a morte da curadoria estratégica


  • O Colapso: A indústria está inundada de Big Data (saturação de informação). A ansiedade por utilizar a Inteligência Artificial (IA) leva a investimentos dispersos em múltiplas ferramentas, mas sem uma visão nexialista de como correlacionar os dados de produção, logística e cliente. O resultado é a paralisia analítica.


  • A Ruptura: A empresa perde agilidade por tomar decisões lentas, ou pior, baseadas em dados contaminados ou irrelevantes. A receita é perdida para concorrentes que utilizam a IA não apenas para coletar, mas para fazer a curadoria estratégica, transformando o caos de dados em insights de nicho de altíssimo valor e timing perfeito, roubando fatias críticas do mercado B2B.


3. A erosão da confiança e o colapso reputacional instantâneo


  • O Colapso: A Ansiedade Coletiva torna a sociedade hipersensível a falhas de propósito, principalmente no varejo. Qualquer inconsistência entre o discurso de marca (ESG, diversidade, ética) e a prática (governança, supply chain) é amplificada instantaneamente pelas redes sociais, tornando-se uma crise de confiança.


  • A Ruptura: O modelo de receita, construído em décadas de marca, pode ser derrubado em um único ciclo de notícias negativas. A desconfiança do consumidor ou do parceiro B2B (que não quer associar sua marca a um risco reputacional) resulta no boicote ou na quebra de contratos. O ativo de confiança, um pilar invisível no Mundo CAOS, torna-se o ponto de falha mais frágil da empresa.


 O – Obsolescência acelerada.

Em um mundo onde a complexidade não é mais um estado temporário, mas o próprio motor da transformação, o foco na Obsolescência acelerada precisa ser cirúrgico. Esta é a lente 'O' do Mundo CAOS, o framework que criei para que a liderança estratégica, principalmente na indústria, possa não apenas reagir, mas liderar a próxima disrupção.


Obsolescência Acelerada não é apenas sobre o produto ficar velho; é sobre o conhecimento e o modelo de receita que o sustentam se tornarem irrelevantes em ciclos de tempo que eram impensáveis há uma década.

A seguir, apresento os três vetores de obsolescência que têm o poder de colapsar o modelo de receita da indústria brasileira nos próximos 24 meses, exigindo uma reengenharia estratégica imediata.


1. Obsolescência do Intermediário e a "virada digital B2B"

O modelo de receita tradicional da indústria brasileira, fortemente baseado na exclusividade de distribuidores, representantes e longos ciclos de relacionamento físico para fechar grandes contratos B2B, está em colapso vertiginoso.


  • O Colapso: O avanço do e-commerce B2B e das plataformas de sourcing inteligentes (AI-driven marketplaces) está transformando o comprador corporativo em um agente de consumo digital, exigindo a mesma fluidez e transparência da experiência B2C. A previsão é clara: o modelo de lucro mais alto será negociado via canais digitais até 2028.


  • A Ruptura: A indústria que não migrar seu core business de venda de produto para servitização do relacionamento (oferecendo dados de performance, manutenção preditiva e suporte via digital twins ou IOT) verá seus margens esmagadas pelos players que conseguirem cortar a ineficiência da cadeia de valor e vender diretamente, com dados, para o cliente final. A inércia no processo comercial físico se tornará um custo de oportunidade fatal.


2. Obsolescência da fábrica rígida e o triunfo da manufatura customizada

O modelo industrial brasileiro historicamente ancorado na eficiência da produção em massa de bens homogêneos (economias de escala) será derrubado pela capacidade da Indústria 5.0 de oferecer personalização em escala.


  • O Colapso: A convergência entre Inteligência Artificial Generativa (IA)Digital Twins e Manufatura Aditiva (Impressão 3D industrial) permite a criação de lotes menores, personalizados e com agilidade de adaptação inédita. Para o cliente B2B, a tolerância a atrasos, falhas ou produtos padronizados diminuirá drasticamente, favorecendo fornecedores que utilizam manutenção preditiva e simulações digitais para garantir o uptime (tempo de atividade) de 99,99%.


  • A Ruptura: As indústrias que mantiverem plantas engessadas e focadas apenas no volume correm o risco de se tornarem fornecedoras de commodities de baixo valor. A receita migrará para quem conseguir vender tempo de produção flexívelengenharia de material sob demanda e soluções de ciclo de vida do produto, e não apenas o produto final.


3. Obsolescência do modelo linear pela precificação de carbono e a agenda regenerativa

O fator ESG não é mais uma nota de rodapé ou um risco reputacional; ele se tornou um risco financeiro e regulatório que tornará obsoletas as práticas industriais baseadas no custo desprezível do descarte e da poluição.


  • O Colapso: A iminente regulamentação e implementação de mecanismos de precificação de carbono (seja via cap-and-trade ou impostos diretos), apoiada pela nova política industrial brasileira, irá penalizar severamente os modelos de produção com alta intensidade de carbono e alto consumo de recursos. O passivo ambiental não será mais externo; ele será incorporado ao custo do produto, eliminando a margem de lucro de operações sujas.


  • A Ruptura: A receita industrial migrará para modelos de economia circular e regenerativa. Quem não for capaz de auditar, reportar e, mais importante, descarbonizar ativamente sua cadeia de fornecimento e produção nos próximos dois anos, verá seu custo de capital e seu custo de produção disparar, tornando o negócio insustentável financeiramente. O ativo fixo sem pegada de carbono neutra se transformará em um ativo encalhado (stranded asset).


 S. Saturação e Escassez: O Fim da margem pela ineficiência atencional

A lente "S" do Mundo CAOS trata da perigosa simultaneidade de ter saturação (de opções, informações, ruídos) e escassez (de tempo, atenção, recursos essenciais e talentos).


É o cenário onde a ineficiência atencional se traduz em perda financeira.

Como defendo, a liderança que ignora a escassez de recursos invisíveis (atenção e foco) e visíveis (água e talentos) está condenada.

⚠Três vetores de saturação e escassez que derrubarão a receita:

1. Escassez de foco vs. Saturação da oferta (custos de aquisição)


  • O Colapso: O mercado está saturado de fornecedores, produtos e informações, tornando a atenção do cliente o recurso mais escasso. O modelo de receita que depende de canais de marketing e vendas baseados em volume (outbound genérico, publicidade massiva) se torna ineficaz, mas a empresa continua gastando fortunas neles.


  • A Ruptura: O Custo de Aquisição de Cliente (CAC) explode a margem de lucro. A indústria falha em desenvolver autoridade e relacionamento (Inteligência Digital), perdendo clientes para players que utilizam o conceito de Curadoria Estratégica para filtrar o ruído, se posicionando como o guia essencial no mercado saturado.


2. Escassez hídrica e energética vs. Saturação regulatória (custo operacional)


  • O Colapso: A indústria brasileira, em setores como agronegócio, têxtil e alimentos, enfrenta a escassez real de água e o aumento do custo de energia limpa (crise climática). Simultaneamente, observa-se uma saturação de novas regulamentações (ex: precificação de carbono, metas ESG e descarbonização).


  • A Ruptura: O modelo de receita linear, que trata recursos como infinitos, será economicamente inviável. A empresa que não investir na Transformação Regenerativa (tornando a produção intensiva em eficiência hídrica e energética) sofrerá interrupções na produção e penalidades regulatórias. O aumento do custo de produção por ineficiência e multas anulará a margem de lucro e tornará o produto não competitivo globalmente.


3. Escassez de talentos chave vs. Saturação de "inovações" fracassadas


  • O Colapso: A indústria tem um excesso (saturação) de projetos de inovação desconectados, startups de baixo impacto e tecnologias que não se integram (o "vale da inércia digital"). Contudo, há uma escassez crítica de talentos com a competência de Inteligência Coletiva, que sabem transformar a inovação em valor financeiro real.


  • A Ruptura: A receita é impactada pela má alocação de capital em inovação que não gera resultado (provas de conceito eternas). A empresa falha em criar Ecossistemas de inovação verdadeiros e fica presa ao modelo de core business que definha, enquanto os competidores utilizam parcerias estratégicas para acessar os raros talentos e o capital paciente necessário para a disrupção.


Conclusão estratégica

O Mundo CAOS não é uma previsão, é um diagnóstico da realidade. A sua capacidade de liderar o futuro depende da sua coragem de encarar estas contradições, dissipar a ansiedade e equilibrar a escassez com a saturação.

O conhecimento adquirido no passado se torna ineficaz para projetar a realidade futura.


Não estamos falando apenas de tendências, mas de vetores de colapso estrutural. A liderança C-Level precisa urgentemente traduzir estes riscos em Planos de Transformação Regenerativa, que vão além da sustentabilidade e buscam a reinvenção completa da proposta de valor.

Essa é a diferença entre o gestor que reage e a liderança estratégica que molda o próprio futuro do seu setor.

A sua organização está metodologicamente preparada para operar e lucrar em um futuro em que estas quatro lentes já são a nova realidade?


O futuro não vai esperar. Vamos transformar?


🌐 Sobre o autor

Paulo Kendzerski é um dos pioneiros da transformação digital no Brasil, com mais de 30 anos dedicados à inovação, à educação empreendedora e ao desenvolvimento sustentável dos negócios.


Presidente do Instituto da Transformação Digital (ITD), da I&T School e da INI – Incubadora de Negócios Inovadores & Impacto Socioambiental, lidera programas voltados à formação de empreendedores de impacto, realiza mentoria para negócios inovadores e C-LEVEL e promove avaliação de maturidade digital e humana em organizações de todos os portes e segmentos.

Reconhecido como um profissional nexialista, Paulo constrói pontes entre mundos distintos, conecta pessoas, empresas, universidades, governos e comunidades, transformando diversidade em convergência.


Seu talento está em ligar pontos que normalmente não se encontram, criando ecossistemas colaborativos capazes de gerar inovação, inclusão e impacto sustentável.


Nos últimos anos, intensificou sua atuação em iniciativas que integram bioeconomia, tecnologia e educação, como o Hackatagro, que envolve estudantes de escolas técnicas agrícolas no desenvolvimento de soluções sustentáveis, e o Digital Transformation Awards, premiação internacional que celebra pessoas e organizações que inovam com propósito.


Mais do que um líder, Paulo é um educador de mentalidades, alguém que inspira novas formas de pensar, aprender e agir. Sua trajetória é guiada pela visão das três inteligências da era regenerativa:


💡Inteligência Social: o despertar individual para escolhas conscientes.

💡Inteligência Coletiva: a força da colaboração entre pessoas e organizações.

💡Inteligência Digital: o uso da tecnologia como meio de regeneração, e não de exploração.


Segue meus contatos diretos:


📱 whats: +55 51 99789-0961


Obrigado por fazer parte dessa jornada comigo!

Será um prazer compartilhar ideias e explorar sinergias.


Um grande abraço,

Paulo Kendzerski

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